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Covid-19 | Góis reinventa medidas, ações e sinergias

By 15 abril 2020 janeiro 27th, 2021 No Comments

Como diz o ditado popular “em tempo de guerra, não se limpam armas”. Perante uma situação de todo imprevisível, inesperada e que ninguém estava preparada a Câmara Municipal de Góis nestas últimas 5 semanas deitou mãos à obra, adaptando-se às restrições de um declarado e renovado estado de emergência, reinventando medidas, ações e sinergias que garantam o cumprimento de um conjunto de serviços mínimos e, ao mesmo tempo, que criem condições para que o confinamento social das nossas populações funcione em segurança e com a garantia de acesso a bens essenciais.

Em momento algum se tem vacilado na disponibilização de meios humanos e materiais para combater os prejuízos e a instabilidade assustadora, de um vírus que não estava “no programa” .Vivia-se o mês de outubro de 2019 e todas as nossas atenções estavam centradas na elaboração do Orçamento e Plano de Atividades para o ano de 2020. Foram tempos de planear, projetar e orçamentar.

Volvido o primeiro trimestre de 2020, nada corresponde às ambições que tínhamos para o concelho. De repente, o mundo mudou. Fomos involuntariamente convocados a ficar em casa. Fomos também convocados a uma reflexão diferente perante as necessidades emergentes e urgentes das nossas populações e das nossas instituições.

A Câmara Municipal iniciou todo o seu trabalho com a elaboração do seu Plano de Contingência no âmbito da Covid-19. Mas cedo, percebemos que a dimensão do problema extravasava as medidas de um qualquer Plano de Contingência. Passámos de imediato à acção, com a aquisição de todo o tipo de equipamento que evitasse a propagação do vírus e que protegesse as nossas instituições, tanto os utentes como trabalhadores. Através de reuniões semanais com as IPSS’s locais, a Câmara Municipal regista as principais necessidades e tem feito chegar kits de material (luvas, máscaras, batas descartáveis, viseiras, solução alcoólica para desinfecção de mãos, toucas, protetores de calçado).

Conscientes do esforço financeiro que as instituições de apoio a idosos estão a fazer, prevemos disponibilizar ao longo do mês de abril, um subsídio de 3.000 euros a cada instituição para minimizar as despesas que estão a ter no combate a esta pandemia.

É por todos conhecida, a demora na realização dos testes e a ansiedade e preocupação que causa a quem aguarda para ser chamado. Também nesta matéria, “arregaçámos as mangas” em conjunto com a Autoridade Local de Saúde Pública,com o Centro de saúde de Góis e com os Bombeiros Voluntários de Góis, fomos para o terreno com um laboratório credenciado e referenciado pelo SNS o qual fez o teste a 10 pessoas. Minimizámos o desespero de quem estava referenciado e vivia um isolamento social em sobressalto e sem certezas, ajudamos a ” ganhar tempo” na clarificação dos sintomas.

No Estado de Emergência há que agradecer a todos os heróis. Com máscara e sem máscara. O nosso muito obrigada à Comissão de Melhoramentos de Cerdeira, ao seu Presidente que de forma abnegada e altruísta nos acompanhou em toda esta missão, quer na sede da Comissão quer nos domicílios, onde se encontravam pessoas de cama e que faziam parte da lista dos casos suspeitos da Covid-19. O momento continua a convocar todos e todas.

Parceiros de natureza privada e pública têm de se reinventar na procura de soluções. Foi exatamente porque acreditamos que as nossas juntas têm um acrescido papel neste Estado de Emergência, a Câmara Municipal também aprovou um subsídio de 20.000 euros a distribuir equitativamente pelas 4 Juntas de Freguesia do concelho, de forma a que possam ajudar as populações, em particular grupos de maior risco.
Continuamos a manter uma reserva estratégica de materiais e equipamentos, por iniciativa própria, mas também em estreita colaboração com a CIM-Região de Coimbra. Sempre que necessário fazemos chegar às nossas IPSS´s material e equipamento que precisam.
Estamos todos vulneráveis ao vírus. Uns mais que outros, por força da idade, da condição de saúde ou da condição profissional. São muitos os que correm riscos, para que nada nos falte: recolha diária de resíduos, tratamento de águas, venda e entrega de medicamentos, comércio fixo e ambulante de bens essenciais, refeições em regime de take away, as nossas padarias, os nossos carteiros e todos os demais serviços assegurados pelos CTT. São estes e muitos,muitos outros, que não podem ficar em casa.

Há uma pequena parte da nossa economia que nos mantém. Há um mundo de serviços sociais de apoio aos nossos idosos que se esgota na garantia de todo o bem estar e no combate à não propagação do vírus. Há o mundo da saúde que não nos tem abandonado. Que se expõe diariamente, mas que não desiste. Mas há ainda uma outra parte do mundo, que vive um quase coma induzido. E, como qualquer coma, deixa sequelas.
Não dá para assobiar para o lado, e fingir que não vemos as consequências económicas e sociais que se avizinham. Importa, no imediato, proteger as populações desta calamidade. A situação de isolamento social e as restrições que estamos a viver colocam muita coisa em causa e confrontam-nos com tanta coisa a que certamente nunca demos o verdadeiro valor: a evidência de precisarmos uns dos outros. Numa recente edição da revista Visão, lia-se o seguinte: “Não sei quanto tempo terei de estar fechada em casa, mas existe, de certeza, tanta coisa para descobrir aqui dentro. Todas as casas têm sítios onde nunca ou raramente fomos. Vamos em busca desses sítios e podemos torná-los maravilhosos. E outro futuro há de chegar”.

É isso que a Câmara Municipal também anseia e deseja.

Presidente da Câmara Municipal de Góis, Maria de Lurdes Castanheira.

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