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Sal em Terra
Carolina Serrazina Juliana Pedro e Maria Carvalho
Externato Cooperativo da Benedita20/05/2010

Resumo

As Salinas de Rio Maior localizam-se a norte do concelho de Rio Maior, integrado no Parque Natural da Serra D'Aire e Candeeiros.

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Artigo

As Salinas de Rio Maior localizam-se a norte do concelho de Rio Maior, integrado no Parque Natural da Serra D'Aire e Candeeiros. Também conhecidas por Marinhas de Sal, distam 3km da cidade e situam-se num vale da orla da serra atrás mencionada. Distanciam-se cerca de 10km da Benedita. Rodeado por arvoredo, terras de cultivo e casas de madeira características da zona, o conjunto afigura-se a uma pequena aldeia de ruas de pedra, nas quais se destacam curiosos tanques com dimensões e formas irregulares que despertam a atenção de qualquer turista. Na Primavera, são eles que se enchem de água salgada, dando origem a autênticas pirâmides de sal.
O documento mais antigo que se conhece relativo às salinas data de 1177, mas pensa-se que o aproveitamento do sal-gema já seria feito desde a Pré-História. Mas a interrogação dos visitantes é saber como, subitamente, a 30km de mar, surgem as Salinas. Nesta região serrana, a água da chuva penetra com facilidade por entre as falhas das rochas calcárias, dificultando a visualização de cursos de água, que se tornam, assim, subterrâneos. Ao atravessar uma jazida de sal-gema, uma dessas correntes torna-se salgada, alimentando o poço que se encontra no centro das Marinhas. Este tem nove metros de profundidade e está rodeado por labirínticos conjuntos de talhos em cimento. A forma como se eleva a água foi o aspecto que mais se alterou desde os primeiros tempos. Hoje extraída com o auxílio de um enérgico motor, outrora era retirada através de duas enormes picotas. Estas, apesar de inutilizadas, ainda lá permanecem, fazendo relembrar os tempos antigos. À parte disto, todo o processo é rudimentar.
Depois de extraída do poço, a água é conduzida para oito tanques, os concentradores, que são comunicantes entre si. É aí onde, com a ajuda do Sol e do vento, aquela evapora. A evaporação da água dá-se em cerca de seis dias, pelo que cada talho produz sal semanalmente. Cabe, depois, aos marinheiros, o ajuntamento do sal do fundo dos talhos, com o auxílio de pás de ferro (outrora com rodos e pás de madeira). Posteriormente, é transportado em cestos de vime para as eiras, onde seca, formando admiráveis pirâmides brancas. Por fim, é carregado para a cooperativa onde será pesado, armazenado e, mais tarde, embalado.
O sal-gema de Rio Maior é vendido a diversas indústrias; o sal é moído, ou não, consoante o pretendido pela indústria à qual se destina. Com o passar do tempo, foi necessário o aumento da produtividade e da comercialização do sal e, para tal, foi criada a Cooperativa dos Produtores de Sal de Rio Maior, no ano de 1979.

Os métodos de exploração pouco evoluíram e este é, de facto, um aspecto que confere ao local bastante singularidade e alguma originalidade. Contudo, a adaptação a uma economia competitiva e a conservação simultânea da tipicidade característica deste património são aspectos que, a todo o custo, interessam preservar!

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